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sábado, março 5

Visita a um pedaço do céu...

Segunda feira,hora do almoço.Apesar de inverno,o calor faz lembrar um dia de verão. Uma notícia inesperada e um pedido médico preocupante de avaliação de um bebê de 5 meses que pode evoluir para uma paralisia cerebral,agita nosso dia. Nossa apreensão é grande.O coração esta apertado. É que a a pequena Paloma é nossa "hóspede" desde antes do nascimento,que já ocorreu de maneira prematura com complicações pós parto.Agora mais uma notícia grave.A ecisão vem como um facho de luz;vamos ao Lar São Francisco.Foi a primeira vez que estive lá.José Eduardo já o conhecia pois encaminhara Valdeir,um valente menino da zona rural que perdeu a perna aos 14 anos vítima de um trator; Luciano,rapaz com um sério problema buco-maxi-facial e Sr.Vitor,que se recupera de uma cirurgia de amputação do pé.-Todos de Atibaia.Com apequena e risonha Paloma no colo,conheci um recanto onde se respira boa vontade e simpatia,vislumbra-se coragem e determinação,recebe-se atendimento e amor e,aprende-se humanidade e bem querer. As cenas são tristes:crianças especiais,portadoras de deficiências de todos os tipos. No entanto uma aura de paz e esperança está presente em cada canto.A espera é uma lição de resignação,força e vontade de viver.Aquelas pessoas,aparentemente frágeis,são o exemplo mais puro de coragem e determinação,parecem enxergar além do que é possível:com os olhos do coração. Mostram que a vida vale a pena em qualquer circunstâncias. Uma história com a foto de um homem que não tem os braços reproduzida em uma quadro na parede chama minha atenção a começar pelo título"Vá ver se eu estou na esquina -Poupe seu tempo,ele não vai estar lá a menos que a esquina seja do hospital do Mandaqui,onde talvez você o veja de passagem,a caminho de seu trabalho. Luiz Henrique medina ou Kaike como ele é conhecido,é formado em citologia pelo Instituto Brasileiro de Controle do Câncer.É um profissional competente,querido e admirado,tem 43 anos,é o pai de um garoto de 4 anos saudável e perfeito, um eficiente chefe de família.Tem planejamento para o futuro,vive no presente e carrega seus problemas como todo mundo. Kaike foi um dos primeiros alunos e pacientes do Lar São Francisco.Nasceu sem os dois braços,sem uma das pernas, sem o maxilar e sem a língua.Foi abandonado na porta de um hospital dentro de uma caixa de sapatos. Kaike é uma prova que ser deficiente fisíco não significa ser um ser humano deficiente.Que apesar da deficiência é possivel estudar,trabalhar,se divertir,levar uma vida normal.O mundo de um deficiente físico não é seu sofrimento mas as suas conquistas.Esta é a nossa filosofia para os KAIKES de amanhã" As surpresas de solidariedade e carinho vem de todos.As peruas chegam e partem e dela descem os carrinhos especiais.As mães e pais se cumprimentam,trocam afagos nos filhos,alegram-se com o reencontro. Na recepção são todos recebidos com ternura,pegam seus crachás e vão para as oficinas de tratamento. Impossível não pensar em quanto somos privilegiados e felizes e,quão pequenos podemos nos sentir diante de tanto esforço e tanta alegria mesmo em meio a problemas físicos tão sérios.A direção,o corpo clínico,os atendentes, os voluntários e os funcionários de todos os setores,caminham como anjos sempre sorrindo e transmitindo incentivos, motivando e acarinhando a alma. Bem diz o folheto que mostra uma ínfima parte da magnitude do trabalho desse recanto do céu,sobre o qual falaremos mais a semana que vem :AQUI SE APRENDE A VIVER.
 Magali Ferreira Pinto Marino Coordenadoria de Imprensa e Comunicação.

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